Em 2025, o Age Free World decidiu sair definitivamente do campo das ideias e colocar suas hipóteses à prova no território mais desafiador de todos: a prática. A pergunta que nos movia era simples na forma, mas profunda nas implicações: o que acontece quando pessoas de diferentes gerações se reúnem, com método, intenção e segurança psicológica, para enfrentar juntas os desafios reais do mundo do trabalho?

A resposta começou a se desenhar a partir de dois hackathons intergeracionais que, mais do que eventos pontuais, se tornaram experimentos vivos de diálogo, aprendizagem e cocriação.


O primeiro experimento: produtividade e bem-estar não são opostos

O 1º Hackathon Intergeracional aconteceu em 27 de agosto de 2025, na Sanofi, em São Paulo, reunindo cerca de 50 participantes das quatro gerações presentes hoje nas organizações: Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z. Pessoas com idades, histórias, funções e expectativas muito diferentes aceitaram o convite para olhar juntas para um dilema comum:
como equilibrar produtividade e bem-estar nas empresas, valorizando todas as gerações?

O processo começou com uma rodada unigeracional, em que cada geração trabalhou separadamente. Esse momento trouxe conforto, fluidez e reconhecimento de dores compartilhadas dentro de cada grupo. Na sequência, os participantes foram reorganizados em grupos intergeracionais, misturando repertórios, experiências e visões de mundo.

A diferença foi perceptível. Enquanto os grupos homogêneos produziram boas soluções específicas, os grupos intergeracionais construíram propostas mais amplas e integradas. Surgiram ideias como plataformas que combinavam métricas de performance e bem-estar, novos modelos de liderança mais humanos, canais estruturados de escuta ativa e iniciativas de felicidade corporativa com impacto real no dia a dia.

Mais importante ainda foi a qualidade das conversas. Os próprios participantes reconheceram que, quando gerações diferentes se escutam sem rótulos, os vieses diminuem, a empatia aumenta e a complexidade deixa de assustar.


O segundo passo: liderança, sucessão e longevidade

Impulsionado pelos aprendizados do primeiro encontro, o 2º Hackathon Age Free World – Líderes aconteceu em 24 de novembro de 2025, na Vila Olímpia, em São Paulo. Reunimos 46 pessoas, sendo 40 líderes de diferentes empresas e gerações, além de 6 facilitadoras, para enfrentar uma pergunta decisiva:
quais modelos de liderança e sucessão precisam ser criados para garantir a longevidade das empresas?

As dores que emergiram foram profundas e recorrentes: solidão da liderança, falta de diálogo genuíno, estereótipos entre gerações, ausência de espaços seguros e pouca clareza sobre carreira e sucessão. Ficou evidente que essas dores atravessam todas as idades — apenas se manifestam de formas diferentes.

As soluções cocriadas abordaram temas como conversas corajosas, liderança situacional, mentoria reversa, programas de sucessão mais transparentes e a criação de rituais contínuos de escuta e confiança.


A Metodologia AFW: os 7 Passos que sustentam a experiência

Nada do que aconteceu nos hackathons foi improviso. A experiência foi sustentada por uma metodologia própria, construída e aprimorada a cada encontro, composta por 7 passos interdependentes.

Tudo começa pela (1) curadoria, uma escolha intencional de pessoas diversas em idade, repertório e trajetória. Em seguida vem o (2) convite, que não convoca para executar tarefas, mas convida para pensar e cocriar caminhos para desafios reais. O terceiro passo é o (3) fortalecimento de vínculos, criando segurança psicológica para que as pessoas se encontrem para além do crachá.

A partir daí, promove-se a (4) identificação de dores comuns, ajudando o grupo a perceber que muitos sofrimentos são compartilhados entre gerações. O (5) conforto da afinidade cria espaços iniciais por geração, permitindo pertencimento antes da mistura. Só então acontece a (6) cocriação conjunta, em grupos verdadeiramente intergeracionais, onde as diferenças ampliam a visão sobre o problema. Por fim, a (7) captura de aprendizados garante que o grupo reflita não apenas sobre as soluções, mas sobre como trabalhou junto, tornando o método replicável em outros contextos.


O que aprendemos juntos

As avaliações dos participantes confirmaram a tese central do Age Free World: grupos intergeracionais produzem soluções mais criativas, sustentáveis e alinhadas à complexidade do nosso tempo. Mas os aprendizados foram além das entregas.

Ficou evidente que segurança psicológica não é ausência de conflito, mas a possibilidade de atravessá-lo com respeito, curiosidade e cuidado. O desconforto apareceu — e, quando bem sustentado, virou fonte de aprendizado e inovação.

Muitos participantes relataram que foi uma das poucas experiências profissionais em que puderam falar sem medo, ouvir sem pressa e ser reconhecidos para além da idade ou do cargo. Jovens se sentiram mais escutados. Líderes se sentiram menos sozinhos. Pessoas de todas as gerações saíram com menos certezas prontas — e com mais consciência, conexão e esperança.


É só o começo

Os dois hackathons mostraram que a intergeracionalidade não é apenas uma pauta de diversidade, mas uma estratégia poderosa para lidar com desafios complexos e imaginar futuros mais desejáveis. A metodologia testada não se limita a eventos: ela pode ser aplicada em programas de Treinamento e Desenvolvimento, processos de inovação, gestão de mudanças e desenvolvimento de lideranças.

Como gostamos de lembrar por aqui, inspirados por Raul Seixas: “Sonho que se sonha só é só um sonho. Sonho que se sonha junto começa a virar realidade.

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