Intergeracionalidade

Quando as gerações se encontram

Há um movimento que merece ser reconhecido nas empresas: a valorização, cada vez maior, da presença de diferentes gerações no ambiente de trabalho. De um lado, profissionais mais jovens, trazendo repertórios digitais, novas referências, velocidade e uma disposição natural para questionar aquilo que parece estabelecido. De outro, profissionais mais experientes, carregando conhecimento, memória organizacional, capacidade de julgamento e aprendizados que nenhum curso consegue reproduzir integralmente. É uma mudança importante. E, em muitos casos, não há qualquer intenção de social washing por trás dela. Há simplesmente a percepção de que equipes mais diversas são mais próximas da sociedade que as empresas atendem.

Menores antes de crianças – o etarismo em Capitães de Areia

O romance começa sem crianças. Antes de qualquer menino aparecer, Jorge Amado entrega ao leitor recortes de jornal e uma troca de cartas entre o periódico, o chefe de polícia, o diretor do reformatório e um padre.[1] A infância soteropolitana dos anos 1930 é primeiro catalogada, discutida e sentenciada pelos adultos; só depois lhe permitem existir na página. A escolha estrutural já é a tese do livro: os mais jovens são falados antes de serem vistos.

A vida é feita de encontros

Quando existem respeito, admiração e interesses em comum, aquilo que nasce no ambiente virtual pode ultrapassar as telas e se transformar em encontros reais, amizades verdadeiras e laços que o tempo só fortalece. Porque, no fim das contas, a vida é feita de encontros e os mais especiais acontecem no momento certo.

Ad gerationem

Existe uma falácia com nome em latim para quase tudo. A preguiça argumentativa atende por uma delas: o ad hominem. Em “A Arte de Ter Razão” (Dialética Erística)[1], Arthur Schopenhauer define o argumento ad hominem como um estratagema em que, em vez de atacar o mérito da tese (ad rem), a refuta indiretamente conectando-a às ações, crenças ou falas anteriores do próprio oponente. Autores de manuais de lógica classificam o ad hominem abusivo e circunstancial como falácias de relevância, pois atacam a pessoa em vez de demonstrar a falsidade de suas premissas.

Um garoto indomável

J.D. Salinger publicou “O Apanhador no Campo de Centeio” em 1951. Desde então, o livro é lido como retrato da adolescência em crise, do isolamento, da busca por identidade. Mas há uma dimensão que passa despercebida com frequência: o que Holden Caulfield experimenta ao longo de toda a narrativa é, em grande medida, etarismo: o preconceito baseado na idade, aqui exercido contra um jovem por um mundo adulto que não o reconhece como interlocutor legítimo.

Entre jovens e maduros, a harmonia nota 10

O último Carnaval foi mais do que espetáculo. Foi uma demonstração clara de que maturidade não é sinônimo de passado. É ativo estratégico. A vitória da Unidos do Viradouro no Carnaval do Rio de Janeiro não pode ser lida apenas como resultado de alegorias grandiosas ou de uma bateria pulsante. Ela é, sobretudo, a consagração de uma liderança experiente. Ao colocar no centro do enredo a trajetória de Mestre Ciça, a escola reafirmou algo que o mundo corporativo ainda aprende com dificuldade: excelência sustentável nasce de memória, método e vivência acumulada.

O menino que fugiu da civilização

Se você não é um baby-boomer, existe uma possibilidade de que não tenha lido “As aventuras de Huckleberry Finn”. Por outro lado se você for um millenial ou da geração Z é bem possível que tenha assistido a série da Prime Video.

Dois Hackathons, muitas gerações e uma tese colocada à prova

Em 2025, o Age Free World decidiu sair definitivamente do campo das ideias e colocar suas hipóteses à prova no território mais desafiador de todos: a prática. A pergunta que nos movia era simples na forma, mas profunda nas implicações: o que acontece quando pessoas de diferentes gerações se reúnem, com método, intenção e segurança psicológica, para enfrentar juntas os desafios reais do mundo do trabalho?

Ressignificando o papel da “Geração Sanduíche”: do esgotamento ao equilíbrio

Vivemos tempos de contradições profundas. No mesmo instante em que celebramos a longevidade, somos esmagados por seu peso. Somos a “Geração Sanduíche”, termo que foi criado nos Estados Unidos em 1981 pelas assistentes sociais Dorothy Miller e Elaine Brody. Ele descreve a situação de adultos que se veem “espremidos” entre a dupla responsabilidade de cuidar dos seus pais que, alcançam idades antes impensáveis e a dedicação necessária a filhos que, seja pela extensão da juventude ou pelas pressões econômicas atuais, permanecem em casa demandando apoio, orientação e, não raro, sustento.

Aos jovens de ontem

O etarismo (qualquer etarismo) empobrece a todos. Quando os mais novos descartam os mais velhos como irrelevantes por princípio, perdem décadas de conhecimento acumulado. Quando os mais velhos se agarram ao poder sem agregar valor, roubam oxigênio das inovações necessárias. Quando qualquer geração finge que só ela importa, o resultado é sempre mediocridade coletiva.

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