Há um movimento que merece ser reconhecido nas empresas: a valorização, cada vez maior, da presença de diferentes gerações no ambiente de trabalho. De um lado, profissionais mais jovens, trazendo repertórios digitais, novas referências, velocidade e uma disposição natural para questionar aquilo que parece estabelecido. De outro, profissionais mais experientes, carregando conhecimento, memória organizacional, capacidade de julgamento e aprendizados que nenhum curso consegue reproduzir integralmente. É uma mudança importante. E, em muitos casos, não há qualquer intenção de social washing por trás dela. Há simplesmente a percepção de que equipes mais diversas são mais próximas da sociedade que as empresas atendem.

Mas existe uma diferença importante entre ter diferentes gerações na empresa e fazer com que elas trabalhem juntas. Quando uma organização estabelece programas de contratação, desenvolvimento ou retenção para diferentes faixas etárias, ela está avançando. Mas ainda pode estar enxergando apenas uma parte do potencial dessa diversidade. É como se estivesse garantindo que todas as vozes estejam na sala, mas não necessariamente criando condições para que elas conversem entre si. A presença, por si só, não produz colaboração. E diversidade que não produz interação corre o risco de se transformar apenas em composição demográfica.

A verdadeira potência aparece quando a empresa deixa de pensar em gerações como grupos separados e começa a desenhar o trabalho para que elas se encontrem. Um profissional de 25 anos trabalhando ao lado de alguém de 55, 65 anos. Um jovem ensinando novas ferramentas e linguagens. Um profissional experiente ajudando a interpretar contextos, antecipar consequências e reconhecer padrões que não estão nos dados. Um aprendendo com o outro, inclusive quando discordam. É aí que a intergeracionalidade deixa de ser uma agenda de pessoas e passa a ser uma estratégia de negócios.

Isso pode acontecer em equipes multifuncionais, squads, projetos temporários, comunidades de prática, programas de mentoria ou simplesmente na composição deliberada das equipes. O importante é que a empresa pare de organizar o conhecimento por idade e comece a organizá-lo por complementaridade. A experiência não é sinônimo de resistência à mudança, assim como juventude não é sinônimo de inovação, como já dissemos por aqui inúmeras vezes. A idade pode explicar parte do repertório de alguém. Nunca deveria definir o tamanho da sua contribuição.

O maior ganho está justamente naquilo que acontece entre uma geração e outra. A experiência pode ganhar velocidade. A juventude pode ganhar profundidade. A tecnologia pode encontrar contexto. A memória pode encontrar novas possibilidades. E decisões melhores podem nascer da combinação de perspectivas que, isoladamente, jamais chegariam ao mesmo resultado. Para isso, porém, é preciso abandonar a lógica de que uma geração precisa ensinar e a outra precisa aprender. Em uma organização madura, todos ensinam alguma coisa e todos têm alguma coisa a aprender.

As empresas que conseguirem chegar a esse estágio farão mais do que promover diversidade etária. Utilizarão melhor o capital intelectual que já possuem. E talvez essa seja a pergunta mais interessante para as lideranças: quantos recursos humanos extraordinários estão trabalhando hoje dentro da mesma empresa sem jamais terem a oportunidade de aprender uns com os outros?

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